domingo, 21 de novembro de 2010
novembro
Amy estava sentada na grama verde observando as estrelas e esperando uma possível típica chuva fria de novembro lavar sua alma e purificar sua mente. Ela sempre realizava esse ritual quando sentia-se fraca. Acreditava que sempre resolvia sentir cada gota escorrer pelo rosto, pelos longos cabelos negros, mas durante aquela noite a chuva não veio então Amy dormiu na grama sentindo o calor queimar-lhe o rosto e a vontade de viver. Ela não sabia definir o que estava sentindo, sabia que a dor era enorme e o peso em suas costas insuportável. Não sabia definir, talvez nunca venha saber e para sempre se sinta como uma parede vazia ou como um céu sem estrelas. Acordou no meio da madrugada com o vento acariciando sua face rosada, alguns minutos depois choveu como nunca havia acontecido antes e ela tornou-se leve como as flores de uma cerejeira. Aproveitou aqueles trinta minutos de chuva como se o céu estivesse acabando, como se sua vida estivesse chegando ao fim. Levou sua mente a um universo paralelo longe de tudo que acontecia e incomodava e nada gritava por socorro. Nesse lugar utópico ninguém entrava portanto estava segura longe dos lobos que a perseguiam no mundo real e dos demônios que ela mesma criou em sua mente. Permaneceu ali deitada em êxtase até que ouviu o latido agudo de Tankian, seu cão. Levantou procurando-o ao redor. Encontrou-o atropelado com as tripas a mostra como e um pesadelo. Levou as mãos ao rosto e chorou como nunca havia feito antes. Chorou muito, mas sabia que seu ultimo amigo e o mais fiel que agora partia da Terra estava indo para o seu universo paralelo. Enxugou as lágrimas e esperou pela próxima chuva. Amy já estava acostumava a perder suas estrelas quando menos esperava ...
